1/08/2015

Je suis Charlie Hebdo III

O exercício de um humor mais sofisticado que vá para além das graçolas dos Batanetes exigem que as pessoas tenham alguma formação cultural de modo a poderem compreender as temáticas retratadas e as figuras de estilo associadas como o sarcasmo, a ironia o eufumismo etc… Não é para todos. Depois devem ter formação cívica para saberem que na sociedade onde vivem quando nos sentimos ofendidos existem leis e instituições a quem podemos recorrer, cabendo a essas instituições decidir eventuais limites e censuras. Responderem com insultos ainda é naquela…. Ameaçar, agredir e no limite matar não tem justificação possível numa sociedade civilizada….. Perceber algo tão básico como isto também não está ao alcance de todos. Perceber que há um desporto giro em que 22 rapazolas tentam pôr uma bola numa baliza e não uma batalha épica onde se decide o destino da humanidade também não é para todos. Somando os todos todos deduz-se então sem surpresa que muitos pensam que a mulher que foi para a rua de mini saia e foi vítima de violação estava a pedi-las, em que programas como o Daily Show são impensáveis pois fazer humor com políticos só em doses homeopáticas, que há humoristas que dizem abertamente que evitam o futebol como tema caso contrário são ostracizados e que existe um número inacreditável de pessoas que se ofendem muito mais se o seu Benfica, Porto ou Sporting forem vítimas de humor (nota: traduza-se ataques vis e merecedores de punições extremas na perspectiva desses estafermos) do que com outra coisa qualquer que aconteça nas suas vidas. Esta gente toda anda por aí, mas agora revelam a sua infinita estupidez e ignorância nas redes socias. Ontem com comentários surreais ao sucedido. Como silenciá-los não é obviamente opção, resta combate-los ou ignorá-los. Acima de tudo evitar a contaminação.
Portugal está cheio de gente criada e endocrinada no neo-fascismo salazarista, ainda está muito presente em Portugal e que pugna pelo "respeitinho". A vaga liberalitária, anarquista e existencialista do Maio de 68 que moldou os cronistas do Charlie Abdout está tão próxima da maioria dos Portugueses, letrados, semi-letrados e não letrados, como Marte.