11/24/2014

Aldeias de Portugal

"Naquele dia chovia muito, como jarros de água que se partem. Abri a porta e aventurei-me no oceano do desconhecido. Nunca havia pensado emigrar para tão longe, mas perante as dificuldades, a mesa vazia, a falta de medicamentos em casa e a oportunidade que apareceu, por meio de um tio emigrado há muito, não tinha como recusar. Ao fechar a porta de casa as lágrimas caíram, descontroladamente, como as Cataratas do Iguaçu. Eu partia para a Alemanha e os meus pais, idosos e abandonados por um sistema trucidante, ficavam ali, naquela velha casa de pedra, entregues aos destinos de um país descarrilado. Raio de vida."

Texto: Paulo Costa
Foto: Rui Pires
Fonte do texto e foto: Aldeias de Portugal