11/14/2014

Tindersticks

Romantismo assolapado, sofrido e decadente. A audição complementada com um bom whisky desperta visões de almas atormentadas numa escuridão enevoada com fumos baços. O amor não tem outro desejo senão consumar-se, mas quando tal não acontece, nada melhor do que ouvir estes discos, os primeiros três da carreira dos Tindersticks. Isto é coisa de homens não é para meninos.
Os Tindersticks tiveram uma enorme popularidade em Portugal. Atingiram estatuto de banda de culto, elogiada pela crítica e com uma base de fãs muito sólida. A banda correspondeu a essa devoção portuguesa com visitas frequentes para concertos que chegaram inclusive a ter presenças fora do Porto e de Lisboa. Mas o passar dos anos não lhes aumentou a popularidade. A crítica musical, que vive do efémero, deixou de lhes prestar grande atenção e, diga-se em abono da verdade, a qualidade dos discos não se manteve a mesma. Nem podia, porque depois de atingir o auge só resta cair. Não que a restante e extensa discografia da banda não mereça atenção. Mas é coisa mais requentada.
Em 2014, nem com um duplo flic flac mortal engrupado à retaguarda voltam a ser um hype. O que é óptimo. O mundo não precisa de românticos decadentes.




http://www.tindersticks.co.uk/