11/24/2014

Aldeias de Portugal

"Naquele dia chovia muito, como jarros de água que se partem. Abri a porta e aventurei-me no oceano do desconhecido. Nunca havia pensado emigrar para tão longe, mas perante as dificuldades, a mesa vazia, a falta de medicamentos em casa e a oportunidade que apareceu, por meio de um tio emigrado há muito, não tinha como recusar. Ao fechar a porta de casa as lágrimas caíram, descontroladamente, como as Cataratas do Iguaçu. Eu partia para a Alemanha e os meus pais, idosos e abandonados por um sistema trucidante, ficavam ali, naquela velha casa de pedra, entregues aos destinos de um país descarrilado. Raio de vida."

Texto: Paulo Costa
Foto: Rui Pires
Fonte do texto e foto: Aldeias de Portugal

11/19/2014

Cartoons - I refuse

What is the most astounding fact ?

Neil deGrasse Tyson

11/17/2014

Os outros

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Lobo_Antunes

Piano Magic

Existem bandas que não fazem nada pela fama. Que não se preocupam com modas, tendências, lugares em playlists, visualizações no youtube, ou o que quer que seja. Deram poucos concertos e mostraram-se sempre muito pouco. Segundo o seu próprio site, as influências são do melhor que pode haver: Dead Can Dance, Joy Division, Cure, New Order. Os géneros musicais abordados são muito variados (indie, folk, electrónica). A qualidade dos discos é desigual. Os vários músicos que fizeram parte da banda ao longo dos anos, com excepção do vocalista (Glen Jonhoson) serão a causa dessa heterogeneidade. O Low Birth Weight de 1999 (único com relevantes elogios por parte da crítica) é um disco muito melhor e soa bem mais moderno que o fraquinho "Life has not finished me yet" de 2011. Tiveram dois discos editados pela mítica 4AD. Para mim, a obra prima dos Piano Magic é sem dúvida o Part Monter. Liricamente é o mais aprumado e o som tem uma influência rock que se desconhece noutros registos. Comercialmente poderia ter tido algum sucesso, mas nunca conseguiram deixar de ser uma banda de nicho apreciada por melómanos que muito poucos conhecem. Ouvi-los é um absoluto deleite com a vantagem de ser um prazer egoísta. Sentimos que partilhamos um segredo que muito poucos conhecem.





Link All Music
http://www.piano-magic.co.uk/

11/14/2014

Tindersticks

Romantismo assolapado, sofrido e decadente. A audição complementada com um bom whisky desperta visões de almas atormentadas numa escuridão enevoada com fumos baços. O amor não tem outro desejo senão consumar-se, mas quando tal não acontece, nada melhor do que ouvir estes discos, os primeiros três da carreira dos Tindersticks. Isto é coisa de homens não é para meninos.
Os Tindersticks tiveram uma enorme popularidade em Portugal. Atingiram estatuto de banda de culto, elogiada pela crítica e com uma base de fãs muito sólida. A banda correspondeu a essa devoção portuguesa com visitas frequentes para concertos que chegaram inclusive a ter presenças fora do Porto e de Lisboa. Mas o passar dos anos não lhes aumentou a popularidade. A crítica musical, que vive do efémero, deixou de lhes prestar grande atenção e, diga-se em abono da verdade, a qualidade dos discos não se manteve a mesma. Nem podia, porque depois de atingir o auge só resta cair. Não que a restante e extensa discografia da banda não mereça atenção. Mas é coisa mais requentada.
Em 2014, nem com um duplo flic flac mortal engrupado à retaguarda voltam a ser um hype. O que é óptimo. O mundo não precisa de românticos decadentes.




http://www.tindersticks.co.uk/

11/13/2014

We aren't . And problably never be.

...

Life´s but walking shadow...

...

11/10/2014

Interstellar

Um dos melhores filmes de ficção científica de sempre. Obra prima da humanidade.
Link IMDB

11/06/2014

Papa Francisco - Quem mais o deveria escutar menos o faz.



52. A humanidade vive, neste momento, uma viragem histórica, que podemos constatar nos progressos que se verificam em vários campos. São louváveis os sucessos que contribuem para o bem-estar das pessoas, por exemplo, no âmbito da saúde, da educação e da comunicação. Todavia não podemos esquecer que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente, com funestas consequências. Aumentam algumas doenças. O medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas, mesmo nos chamados países ricos. A alegria de viver frequentemente se desvanece; crescem a falta de respeito e a violência, a desigualdade social torna-se cada vez mais patente. É preciso lutar para viver, e muitas vezes viver com pouca dignidade. Esta mudança de época foi causada pelos enormes saltos qualitativos, quantitativos, velozes e acumulados que se verificam no progresso científico, nas inovações tecnológicas e nas suas rápidas aplicações em diversos âmbitos da natureza e da vida. Estamos na era do conhecimento e da informação, fonte de novas formas dum poder muitas vezes anônimo.
Não a uma economia da exclusão

53. Assim como o mandamento “não matar” põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer “não a uma economia da exclusão e da desigualdade social”. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o fato de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do “descartável”, que aliás chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são “explorados”, mas resíduos, “sobras”.

54. Neste contexto, alguns defendem ainda as teorias da “recaída favorável” que pressupõem que todo o crescimento econômico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar. Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe. A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma. Não à nova idolatria do dinheiro

55. Uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e as nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. Criamos novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro (cf. Ex 32, 1-35) encontrou uma nova e cruel versão no fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano. A crise mundial, que investe as finanças e a economia, põe a descoberto os seus próprios desequilíbrios e sobretudo a grave carência de uma orientação antropológica que reduz o ser humano apenas a uma das suas necessidades: o consumo.

56. Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe, de forma unilateral e implacável, as suas leis e as suas regras. Além disso, a dívida e os respectivos juros afastam os países das possibilidades viáveis da sua economia, e os cidadãos do seu real poder de compra. A tudo isto vem juntar-se uma corrupção ramificada e uma evasão fiscal egoísta, que assumiram dimensões mundiais. A ambição do poder e do ter não conhece limites. Neste sistema que tende a fagocitar tudo para aumentar os benefícios, qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra absoluta.
Não a um dinheiro que governa em vez de servir

57. Por detrás desta atitude, escondem-se a rejeição da ética e a recusa de Deus. Para a ética, olha-se habitualmente com um certo desprezo sarcástico; é considerada contraproducente, demasiado humana, porque relativiza o dinheiro e o poder. É sentida como uma ameaça, porque condena a manipulação e degradação da pessoa. Em última instância, a ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das categorias do mercado. Para estas, se absolutizadas, Deus é incontrolável, não manipulável e até mesmo perigoso, na medida em que chama o ser humano à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A ética – uma ética não ideologizada – permite criar um equilíbrio e uma ordem social mais humana. Neste sentido, animo os peritos financeiros e os governantes dos vários países a considerarem as palavras de um sábio da antiguidade: “Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos”.

58. Uma reforma financeira que tivesse em conta a ética exigiria uma vigorosa mudança de atitudes por parte dos dirigentes políticos, a quem exorto a enfrentar este desafio com determinação e clarividência, sem esquecer naturalmente a especificidade de cada contexto. O dinheiro deve servir, e não governar! O Papa ama a todos, ricos e pobres, mas tem a obrigação, em nome de Cristo, de lembrar que os ricos devem ajudar os pobres, respeitá-los e promovê-los. Exorto-vos a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano.Não à desigualdade social que gera violência

59. Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarraigar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há-de provocar a explosão. Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o sistema social e econômico é injusto na sua raiz. Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça. Se cada ação tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de dissolução e de morte. É o mal cristalizado nas estruturas sociais injustas, a partir do qual não podemos esperar um futuro melhor. Estamos longe do chamado “fim da história”, já que as condições de um desenvolvimento sustentável e pacífico ainda não estão adequadamente implantadas e realizadas.

60. Os mecanismos da economia atual promovem uma exacerbação do consumo, mas sabe-se que o consumismo desenfreado, aliado à desigualdade social, é duplamente daninho para o tecido social. Assim, mais cedo ou mais tarde, a desigualdade social gera uma violência que as corridas armamentistas não resolvem nem poderão resolver jamais. Servem apenas para tentar enganar aqueles que reclamam maior segurança, como se hoje não se soubesse que as armas e a repressão violenta, mais do que dar solução, criam novos e piores conflitos. Alguns comprazem-se simplesmente em culpar, dos próprios males, os pobres e os países pobres, com generalizações indevidas, e pretendem encontrar a solução numa “educação” que os tranquilize e transforme em seres domesticados e inofensivos. Isto torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos vêem crescer este câncer social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus Governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes.
Sua Santidade, Papa Francisco, 2014

Texto de 2014. Será infelizmente actual em 2064

11/03/2014

Alison

Uma música que desperta genuínos sentimentos de nostalgia. Amizades que pareciam eternas enquanto duravam, risos sinceros, vontade genuína de estar com o outro. Saudades de 1996.


Listen close, and don't be stoned
I'll be here in the morning
Cause I'm just floating
Your cigarette still burns
Your messed-up world will thrill me
Alison, I'm lost
Alison, I said we're sinking
There's nothing here but that's okay
Outside your room, your only sister's spinning
But she lies, tells me she's just fine
I guess she's out there somewhere
And the sailors they strike poses
TV covered walls, and so slowly
With your talking and your pills
Your messed-up life still thrills me
Alison, I'm lost
Alison, I'll drink your wine
I wear your clothes, when we're both high
Alison, I said we're sinking
But you laugh and tells me it's just fine
I guess she's out there somewhere


Slowdive( AllMusic Link)

Mãe


11/02/2014

Lema de vida

Christopher Hitchens

11/01/2014

Hope there's someone - Antony and the Johnsons

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go
Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired
There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How can I fall asleep tonight
How will I rest my head
And Godsend
I don't want to go
To seals of shame!
There's a ghost on the horizon
When I go to bed
Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there
There's a man on the horizon
Wish that I'd go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head
So here's hoping I will not drown
Or paralyze in light
And godsend I don't want to go
To the sea's watershed
Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, Will I go
Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired

Antony and the Johnsons - I'm a bird now (Allmusic link )