Na cleptocracia chamada Angola.
10/17/2015
Esfera de Dyson - Is anybody out there?
Depois de descobrir mais de uma centena de mundos alienígenas ao redor de outras estrelas, o astrônomo americano Geoff Marcy decidiu que era hora de apostar na busca por civilizações extraterrestres. Supercivilizações, na verdade - com tecnologia incomensuravelmente superior à nossa.
A hipótese é a seguinte: supercivilizações precisam de megafontes de energia para alimentar seus hiperequipamentos, ultrafamintos por eletricidade - está pensando que teletransporte, viagens no tempo e outras supertecnologias são econômicas? Não sabemos, mas provavelmente não. A regra de que não existe almoço grátis fatalmente vale para o Cosmos todo: quanto maior o desenvolvimento, maior a demanda por energia. Por exemplo: qualquer megacivilização que se preze já se expandiu para além de seu planeta natal e colonizou outros mundos, pelo menos dentro do seu próprio Sistema Solar. Aí que os gastos com energia vão mesmo para a estratosfera - se escoar soja do Mato Grosso já demanda um oceano de diesel, imagina transportar matéria-prima entre um planeta e outro.
Desnecessário dizer que diesel não resolve o problema num caso desses (nem no nosso, mas essa é outra história). O jeito mais racional de obter energia nessa escala absurda, imaginam os cientistas terráqueos, é apelar para o Sol. Ou seja, explorar ao máximo a radiação emitida pela estrela-mãe do planeta em questão. Mas não, painéis solares como os conhecemos não dariam nem para o começo. Os nossos amigos de uma hipercivilização com comércio interplanetário precisariam de painéis grandes. Grandes mesmo. Mastodônticos, com centenas de milhões de quilômetros de extensão. A coisa formaria anéis em torno da estrela, como esta mandala aqui ao lado.
O conceito é conhecido como Esfera de Dyson, assim batizada em homenagem ao físico e matemático britânico que primeiro apresentou o conceito, Freeman Dyson, hoje com 90 anos. Ele partiu do pressuposto de que todas as civilizações tecnológicas constantemente aumentam sua demanda por energia. Pensando em termos terráqueos, se essa tendência (que existe hoje em nossa própria civilização) continuar por tempo suficiente, chegará o dia em que precisaremos de quase 100% da energia emitida pelo Sol para mantermos nossas máquinas funcionando. Quando essa hora chegar, a melhor solução seria construir essas instalações espaciais cosmofaraônicas em torno de nossa estrela - daria para transmitir a energia via micro-ondas, sem fio, direto do espaço para os planetas em que houver colônias. Dyson apresentou a noção num artigo publicado em 1960 na revista Science, mas a inspiração original veio da ficção científica, que já na década de 1930 falava do assunto.
E agora chegamos ao ponto que interessa. Se os escritores de ficção científica e Freeman Dyson estiverem certos, e alguém lá em cima já tiver construído uma superestrutura dessas, não seria tão difícil detectar a presença de uma delas hoje mesmo, usando os melhores telescópios disponíveis aqui na Terra
É exatamente isso que Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia, quer procurar. "Estamos buscando estrelas que fiquem completamente escuras por um tempo e depois brilhem de novo", diz o americano. "Essa mudança drástica no brilho aconteceria se uma civilização cobrisse sua estrela com anéis para coletar sua luz. Esperamos detectar essas esferas Dyson ao procurar por estrelas que mudem de brilho dramaticamente." Loucura? Sim. Só que Marcy pode se dar ao luxo de propor coisas nessa linha. Ele construiu uma reputação de cientista de primeira grandeza a partir da década de 1990, quando começou a descobrir os primeiros planetas fora do Sistema Solar. Por pouco, ele não foi o astrônomo que encontrou o primeiro mundo extrassolar, descoberto pelo grupo rival de Michel Mayor, do Observatório de Genebra, em 1995.
Marcy, contudo, foi responsável pela descoberta do primeiro sistema com múltiplos planetas e já soma mais de 110 planetas descobertos. No momento, ele trabalha na equipe do satélite Kepler, da Nasa, que já encontrou milhares de planetas-candidatos durante sua missão de observação de apenas uma pequena parte do céu. E a proposta de procurar sinais de civilizações avançadas está sendo levada a sério. Marcy recebeu um financiamento de US$ 200 mil, que estão sendo pagos entre 2013 e 2014, para procurar por elas justamente nas estrelas observadas pelo Kepler. São cerca de 160 mil estrelas monitoradas constantemente pelo telescópio orbital, mas Marcy deve se concentrar em apenas mil delas, as que pareçam mais amigáveis à existência de planetas potencialmente habitáveis (ou seja: estrelas médias, como o Sol, nem muito ofuscantes, nem muito apagadas).
"O Kepler já descobriu mais de 2 mil novos mundos em torno de outras estrelas, a maioria deles menor que duas vezes o tamanho da Terra, e muitos que provavelmente têm água [o ingrediente mais fundamental para a vida]", diz Marcy. "Essa enxurrada de planetas quase do tamanho terrestre oferece a primeira oportunidade para que nós, humanos, procuremos outras espécies inteligentes."
Nova tentativa
Não é a primeira vez que astrônomos tentam encontrar sinais de Esferas Dyson. Um esforço anterior, conduzido por Richard Carrigan, pesquisador do Fermilab (instituição americana de pesquisa de física de partículas), usou dados do satélite IRAS para tentar encontrar sinais de radiação infravermelha. Essa era a radiação esperada caso houvesse não anéis, mas uma esfera completamente fechada, que envelopasse um sistema solar inteiro - e não deixasse escapar luz visível, só calor, na forma de radiação infravermelha.
Os resultados foram, bem, inconclusivos. "Obtivemos 17 candidatos ambíguos dos quais quatro eram ligeiramente interessantes, mas ainda questionáveis", afirma Carrigan.
De posse dos dados do Kepler, Marcy acredita que pode fazer melhor. Além disso, ele pretende usar tempo do Observatório Keck, no Havaí, para coletar espectros de luz de seus mil alvos, na esperança de detectar um outro sinal de vida inteligente - raios laser. É a última moda na busca por transmissões extraterrestres. Até hoje, a maioria das pesquisas se deu em frequências de rádio, imaginando que as civilizações os usariam para tentar se comunicar conosco. É o que o Seti faz desde a década de 1960. O programa de Busca por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) aponta suas mega-antenas , os radiotelescópios, para alguma região do céu. E tenta captar qualquer coisa que pareça ter sido transmitida por alguma forma de vida na tentativa de se comunicar com a gente, tipo sinais de rádio com frequência que se repetem, que pareçam um código morse interplanetário.
Mas e se os ETs estiverem usando pulsos de laser, em vez de ondas de rádio? Essa é a segunda grande aposta de Marcy. Ele aponta que os militares americanos já estão usando cada vez mais laser, em vez de rádio, para se comunicar com suas espaçonaves. "Lasers são mais eficientes do ponto de vista energético, e eles permitem que dois grupos se comuniquem com mais privacidade", diz o astrônomo. Isso acontece porque o laser, por ser uma forma de luz "organizada" (os físicos chamam de "coerente"), precisa ser apontado na direção do receptor do sinal, pois "vaza" muito pouco em outras direções. Já as ondas de rádio se propagam mais livremente para todo lado.
Bem, mas qual é a chance de uma civilização distante estar apontando seu laserpointer para nós? Marcy na verdade nem está contando com isso. Ele aposta que os ETs estejam usando lasers para se comunicarem entre si, com suas espaçonaves, colônias etc. Se tivermos sorte, uma dessas transmissões pode, por coincidência, ser disparada na nossa direção. Por enquanto, haverá limitações na busca. "Estamos desenvolvendo novas técnicas, com novos detectores e telescópios, para buscar sinais alienígenas no infravermelho e na luz visível. Vamos torcer para que eles estejam transmitindo nessas frequências!". A busca nas outras frequências (ultra-violeta e raios-x), mais complexa, fica para uma próxima.
Até agora, houve um sinal esquisito de laser detectado em 2009 na Austrália, mas não tiveram como confirmar sua suposta natureza artificial, porque ela não se repetiu - a exemplo do que já tinha acontecido com as buscas por sinais de rádio. Em 1977, um radiossinal com cara de artificial, formando padrões aparentemente repetidos, foi detectado em Ohio, levando o operador do radiotelescópio a anotar "Uau!" em seus relatórios. Mas o fenômeno nunca mais aconteceu de novo.
Bom, a verdade é que, se somos ruins para prever o futuro da humanidade, calcule o desafio de especular sobre o que estão fazendo civilizações alienígenas bem mais avançadas do que nós. Marcy se dá conta do tamanho do problema. "Talvez eles não transmitam ondas de rádio ou qualquer outro comprimento de onda de luz", afirma. "Mas não podemos buscar tipos de comunicação que não fomos capazes de imaginar. Precisamos empurrar nosso potencial para tentar fazer descobertas, sem saber de antemão se há alguma chance de sucesso." Pois é. No fim, estamos limitados pela nossa imaginação. Ainda bem que, pelo jeito, ela tem combustível de sobra.
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10/12/2015
A professional astrologer realizes astrology isn’t real
Rudolf Smit loved astronomy as a child, and now he loves astrology… but he no longer believes it’s real. There was a time when he was a full-time consulting astrologer and widely admired astrology author. Founder of the Society of Practising Astrologers in the Netherlands and deeply passionate about a belief he found quite beautiful, Smit authored an astrology handbook and wrote popular articles for Dutch astrology publications like Earth & Cosmos and The Planets Speak.
The planets failed to reveal the shock that was to come.
In a moving autobiographical essay on his website Astrology and Science, Smit tells his story. Born in 1942, he began to fall in love with astrology in the late 1960s, but not without a healthy dose of skepticism:
[I] bought myself a booklet about my Sun sign… [M]uch of what I read did for a great deal pertain to me. I was truly astonished… But at that point some skepticism crept in. What if I would buy all the other nine star sign booklets? I took a personal bet that after reading those booklets I would discover in each of them descriptions that would fit me. And indeed, so it occurred…
But then I happened to visit the parents of someone I knew… Two days later I found in my mail a nicely drawn up horoscope… which made me feel flabbergasted. She had written things which were quite specific to my character and situation in life, and which she could not have known.
But I was still not fully convinced. So I did something else: I sent my birth data to a well-known astrologer and asked him to write an analysis purely based on those data, hence without ever seeing me. Six weeks later I received his nicely structured, six-page description which fitted me miraculously well. I was elated and the die was cast: from now on astrology had me firmly in its grip! This was the beginning of an exciting time.
Smit began casting horoscopes for himself and his friends, who were impressed with his accuracy. This comes as no surprise today to those familiar with the now-famous Forer (or Barnum) Effect in psychology
[T]here was that wonderful feeling…of having encountered a miracle…This was truly astonishing, and I felt elated.
He began taking clients and plunged into astrology as a profession:
A wonderful time followed. Everybody was full of optimism and felt that it would be only a matter of a few years before astrology was fully accepted by society.
One day, a very strange thing happened during a client session:
All seemed to go pretty well; she was nodding all the time while saying, “yes, yes, you are so right…” But then I said something like: “well Ms Johnson, we….” She interrupted: ” Sorry, my name is Petersen, not Johnson.” I then experienced a terrible sinking feeling, because I then saw before me the horoscope of a Ms Johnson, but the person before me was surely not this Ms Johnson! Apparently I had taken the wrong chart from my file cabinet! Truly, I have forgotten how I got myself out of this most embarrassing terrible mess, but apparently I had managed the situation pretty well, because she went away a happy client. After seeing her out I sat in my study, confused thoughts racing through my mind. How is it possible to do a correct reading based on a wrong chart? Did not all textbooks tell us that a horoscope is unique, that is, only fitting its native and no one else? If so, how on earth could I have made correct delineations based on a totally wrong chart? I was completely puzzled.
But this was his life. His livelihood. His very human brain pushed away doubts sufficiently to allow him to practice for a while longer… but his early skepticism was returning. Through the 1970s, he worked to examine systematically just how well horoscopes correlated with reality, desperately hoping to prove astrology worked:
It took me a number of years to carry out these projects. I succeeded, but to my great chagrin the test results were contrary to all hopeful expectations. One did not have to be a professional statistician to find out that many, if not all, statements in astrological text books, fell flat when tested on a great number of horoscopes. For example, I tested the statement that in the charts of people who had died an accidental death, there would be a remarkable incidence of Progressed Ascendant to Mars, or of Progressed Mars to the Ascendant. Sure, there were a few (but the word says it all: a few), hence not an overwhelming number which could confirm the textbook statement. And so it went on and on.
Still, the love of his beloved practice remained strong, and Smit continued casting horoscopes until a fateful friendship began with another research-minded astrologer. Geoffrey Dean, whose later work disproving astrology makes him well known today in skeptical circles, was speaking at an Australian astrology conference with Smit. Dean gave Smit a draft paper of his to review, which impressed Smit with its objective, rigorous approach. But his pleasure was soon shattered:
One chapter though gave me that terrible sinking feeling again. Not because he had written something wrong, but because there was the sense of immediate awareness that he was so right! And that was the moment when the penny dropped. The sudden realisation how I had been doing my readings and why I had been so successful…
In this chapter Dean discussed about 20 factors that affect “personal validation” or the way a client personally assesses or validates an astrological reading… These factors included things like the Barnum effect (seeing specifics in generalities) and selective memory (ignoring errors), most of which I did recognise, that is, I had the strong feeling that indeed I myself had been a victim of most of them.
Smit then quotes from a chapter in Dean’s paper on “Cold Reading” about tricks not widely known in those days before the Internet. It was a great shock to see these laid out so bluntly:
- Watch the eyes and hands for signs that they say yes and no.
- Make the reading happy and positive.
- Be a good listener.
- Loosen the client’s tongue with flattery.
- Discover the problem and then tell the client what she wants to hear…
Usually neither the reader nor the client is consciously aware of this communication process, which therefore can result in a reading that seems mysteriously perceptive. The point is that a skilled cold reader can produce a totally convincing reading very similar to a chart reading (and probably more accurate) but without using a chart. In which case it cannot be claimed that astrology plays an essential part in the reading process.”
For Smit, those words struck a harsh blow. It felt to him as if “the bottom had been kicked away from under” his existence. He knew at that moment that his life’s work had been an illusion:
[Without] ever having been consciously aware of it, I had been an excellent cold reader… Now it also became devastatingly clear why I had had excellent sessions based on the totally wrong chart. Sympathy, cold reading, and the nice astrological symbolism had done the trick, not astrology itself.
There were more shocks to come. Dean showed Smit letters from clients praising the accuracy of his horoscopes – “So true it is amazing!” “You know me inside out!” But Dean had stumbled upon the same discovery as Smit, causing him to give up his practice:
[I]n 1980 [Dean] found to his amazement that clients were just as happy with a reading that was the opposite of the authentic reading. Like me he had discovered that any chart would do provided the astrologer is sensitive and caring.
Smit was plunged into depression. It took sizable strength of character to close his practice and start completely over in life. His painful emotional struggle was eased somewhat when he learned he was not alone, that other honest astrologers had discovered the same phenomenon and given up their practice. These included David Hamblin, one-time chair of the Astrology Association of Great Britain. Ever the researcher, Smit now had to know…
…why astrology still exerts so much attraction to so many people. In other words, why do astrologers still go on believing whereas the evidence against it is mounting and mounting? …I conclude that astrologers go on believing because the apparent match between horoscope and client is such an extremely persuasive situation that it is easy for them to ignore every evidence against astrology — as indeed it seems they have always done…
Though no longer a believer, Smit remained drawn to astrology, conducting investigations as editor of Correlation – Journal of Objective Research into Astrology. He is now retired from a career as editor and translator at a scientific and technological laboratory, and has created the website Astrology and Science as a research archive.
“[A]strology has undeniable appeal,” Smit writes, that “satisfies the longing… to feel part of the universe.” I hope he’s remembered his childhood love of astronomy, and discovered how to satisfy that longing in ways that fulfill his truly courageous demand for truth.
Original: bogardiner.wordpress.com/2015/03/08/a-professional-astrologist-realizes-astrology-isnt-real/
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